By admin December 13, 2022
As temperaturas elevadas geram grande desconforto para os animais e podem causar prejuízos
significativos para pecuaristas de todo o país. A queda de produtividade e os custos elevados
com o controle de enfermidades são alguns dos itens que podem encarecer o cuidado com o
rebanho. Pensando nisso, a VetBR, mais completa distribuidora de produtos para saúde animal
do país, convidou um médico veterinário para elencar as principais doenças que acometem o
gado na estação mais quente do ano e os cuidados preventivos.
Segundo Mateus Freitas de Souza, supervisor de vendas da VetBR e médico veterinário, os raios
solares mais fortes e as tempestades comuns durante o verão afetam de forma significativa o
bem-estar animal. “No período, há uma incidência maior de carrapatos no rebanho devido ao
seu ciclo biológico. O parasita pode estar contaminado com agentes que causam doenças
graves e que irão onerar ainda mais o pecuarista. Outro ponto de atenção é o estresse térmico
que ocorre devido ao aumento da temperatura, principalmente em regiões com alta umidade
que acabam dificultando a perda de calor. Vale destacar também a úlcera da lactação, mais
prevalente nessa época devido ao aumento do seu vetor no campo”, afirma o especialista.
As altas temperaturas junto com períodos de estiagem fazem com que os carrapatos subam da
pastagem para o animal. Estudos mostram que uma única fêmea pode sugar 0,5 ml de sangue
por dia do gado. Dessa forma, 200 fêmeas podem fazer uma vaca perder até 2 litros de sangue
apenas durante um mês. Esses agentes ainda trazem consequências piores do que o
parasitismo, pois os vetores transmitem duas importantes hemoparasitoses: Babesia e
Anaplasma — que formam o complexo Tristeza Parasitária Bovina. A anaplasmose, por exemplo,
pode ser transmitida por outros vetores ou fômites, como agulhas ou material cirúrgico
compartilhado. As consequências dessas enfermidades é uma anemia profunda devido a ação
Dos vetores, principalmente os carrapatos, seja insignificante perto do dano causado pelos agentes do complexo.
Essas doenças podem ser fatais devido a anemia causada e são responsáveis por grandes
prejuízos econômicos, como a queda da produção de leite, diminuição do ganho de peso dos
animais, além de gastos excessivos com o controle da doença e a mortalidade do rebanho.
Entre temperatura durante a ordenha, assim como fazer exames de hemograma nos animais doentes
com pesquisa de hemoparasitas para dectectar a presença do agente na propriedade.
Após confirmado o diagnóstico, o veterinário afirma que existem dois tipos de tratamento. “Há
o tratamento dos agentes que estão causando a doença, no caso da anaplasmose, é possível
tratar com antibióticos, já a babesia o tratamento é realizado com Diaceturato de Diminazene.
Porém as medicações não tratam sintomas como a anemia. Muitas vezes há necessidade de
uma transfusão de sangue para que o animal responda de forma significativa ao tratamento. O
procedimento não exige tecnologia e pode ser realizado no campo pelo veterinário”, diz.
Outro destaque importante para o verão é o estresse térmico, que está relacionado a alterações
no organismo do animal para compensar mudanças nas condições ambientais, como excesso de
frio ou calor. Quando se trata do aumento da temperatura, haverá também um aumento da
concentração sanguínea do cortisol, mais conhecido como “hormônio do estresse”. A substância
em excesso prejudica a absorção de nutrientes e diminui a atividade das células de defesa
devido ao seu efeito imunossupressor, além de prejudicar a termorregulação. Investimentos em
um ambiente que faça com que o animal esteja dentro da sua zona de conforto térmico e que
não precisem de esforços termorregulatórios, como o aumento de frequência respiratória ou
taxa de sudação, por exemplo, fazem com que o rebanho expresse o máximo de sua
potencialidade
Na pecuária de leite temos também a úlcera da lactação que é considerada uma zoonose, ou
seja, é transmitida para o ser humano. A enfermidade é causada pelo verme Stephanofilaria Spp
e o principal vetor é a mosca do chifre — que costuma aparecer mais no calor. Com o
surgimento das úlceras, muito comum no úbere entre os quartos mamários, pode haver
infecções secundárias por bactérias que causam mastite e prejudicam a qualidade do leite,
assim como podem levar a vaca a um quadro sistêmico com febre e perda de apetite A principal
forma de prevenção é a limpeza do ambiente, além de medicações como carrapaticidas e
inseticidas para controle do vetor. Caso o animal seja acometido pela doença, será necessário
tratar o parasita com fármacos apropriados, assim como a limpeza da ferida para evitar
infecções secundárias.
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